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Salimo Abdula CPLP
Salimo Abdula em entrevista à PME Magazine (Foto: Rafael Marques)

“O setor privado está ávido de olhar para uma CPLP sem constrangimentos” – Salimo Abdula

Por: Mafalda Marques e Ana Rita Justo

Há dois anos foi eleito presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), cargo que abraça defendendo a livre circulação de pessoas, bens e capitais dentro dos países da comunidade. Contra a “inércia” e a favor do sucesso, assim se apresenta o moçambicano Salimo Abdula.

 

Veja aqui o vídeo da entrevista de Salimo Abdula à PME Magazine ou oiça o áudio aqui.

 

PME: Qual o balanço que faz desde que começou as suas funções como Presidente da Confederação Empresarial da CE-CPLP?  Atingiu todos os objetivos a que se propunha?

S.A: Bom, o balanço é positivo. Eu sou por norma, uma pessoa com energia positiva e gosto de olhar para as coisas com alguma positividade porque, se nós não acreditamos naquilo que estamos a fazer dificilmente conseguimos atingir os objetivos. A olhar para a fundação da nossa Confederação, que começou como Conselho Empresarial e depois passou a ser uma Confederação Empresarial, nos cerca de 11 anos da sua existência, podemos dizer que começam a surgir efeitos positivos daquilo que foi a visão dos fundadores da nossa Confederação, também fiz parte desta comissão na altura. Hoje a Confederação tem uma visão mais aberta e, quiçá, o complemento daquilo que é a visão da CPLP. A Confederação vem complementar, como quarto pilar da CPLP, a missão de desenvolver a visão da sociedade sob o ponto de vista mais económico, criando uma perspetiva de uma CPLP económica, com uma dinâmica que prevê a interação entre empresários dos nossos nove países, criando e ajudando no ambiente de negócios que vai atrair mais investimentos para a nossa comunidade de capitais de fora. Portanto, devo dizer que a missão da Confederação ainda está no seu início.

 

PME: Desse périplo comunidade e daquilo que ouviu no sector privado, o que lhe disseram e o que é que daí se transpõe para os vossos objetivos finais? Quais são os maiores desafios que o setor privado, nos países da CPLP, lhe apresentaram?

S.A: Bom, deixem que vos diga que o setor privado está ávido de olhar para uma CPLP aberta, onde não haja constrangimentos de livre circulação de pessoas e bens. Somos uma comunidade, não faz sentido que haja barreiras. Numa família, se temos limitações de circular dentro de nossa casa para o quarto do filho ou do pai, isto passa a ser uma família incompleta e a CPLP tem este défice. Se queremos ser uma comunidade socioeconómica, uma comunidade como mandam as regras nós temos que ter a coragem de darmos um passo e o primeiro passo é a livre circulação de pessoas, depois a livre circulação de bens e, mais tarde quiçá, a livre circulação de capitais. Estes aspetos irão consolidar o grande objetivo desta comunidade que tem um imenso desafio pela frente, se quiser ser um dia líder mundial economicamente.

 

PME: Ainda não conseguiu reunir consenso junto dos governos dentro da CPLP para que isto acontecesse?

S.A: Bom, eu iria dizer esta forma: Consenso existe, eu penso que o que está a faltar aqui é alguma inércia da parte de quem de direito na implementação. O que nós temos visto nos últimos anos com a movimentação da CPLP tem sido mais cultural, politico, social onde há grandes vontades, grandes discursos, mas na efetividade não se vê de forma pragmática o seu empenho. Deixei-me salutar o trabalho que tem sido feito pelo Secretariado geral da CPLP, o atual Secretário Executivo da CPLP, Isaac Murade Murargy, foi quem nos deu uma mão para que Confederação, em representação do setor privado, para que pudesse ser mais visível e que pudesse levar a cabo esta missão de forma a dinamizar uma CPLP mais económica. É o que nós estamos a fazer. Claro que temos grandes desafios, primeiro: este cenário de marketing social que andamos a fazer para sensibilização dos governos, da sociedade. Não há duvida que a sociedade quer, os governos não dizem que não agora como é que nós conseguimos efetivar isto? Com muita persistência e com muita consistência sobre as ações que vamos tomar e alguma seriedade, senão total seriedade, da parte que envolve os dirigentes governamentais e dirigentes associativos, que na essência são os dirigentes associativos e empresariais que dinamizam também a pressão sobre os Estados para que algo aconteça. E isto tem que acontecer, é inevitável. É inevitável que uma CPLP continue a faltar por divisão na livre circulação de pessoas, bens e capitais, se nos apregoamos como uma comunidade. Não faz sentido. Até porque todos os recursos, o potencial que a CPLP vai-se reduzir a pó se nós não conseguirmos de uma forma pragmática e disciplinada, olharmo-nos com frontalidade e reunir condições para que possamos efetivar todas estas vontades da comunidade.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição digital da PME Magazine.

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