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Paulo Doce de Moura colabora pontualmente com a PME Magazine (Foto: DR)

Internacionalização: porque não?

Por: Paulo Doce de Moura, manager de banca e investimentos

 

A exportação é o modelo mais utilizado pelas PME portuguesas no âmbito dos seus processos de internacionalização. No entanto, verificam-se interessantes diferenças na forma como sectores distintos prosseguem as suas estratégias de internacionalização.

É importante compreender a realidade das pequenas e médias empresas portuguesas exportadoras, a sua atividade nos mercados externos e as perspetivas de crescimento no futuro.

Os sectores agrícola e industrial são aqueles em que uma maior proporção das empresas afirmam exportar diretamente para os seus clientes nos mercados internacionais.

Os serviços são o sector onde a exportação direta é menos prevalecente. Trata-se, em compensação, do sector com maior diversidade de modelos que não o de exportação: ou estabelecem joint ventures com parceiros locais, ou optam por abrir sucursais ou filiais ou abrem escritórios de representação nos mercados de destino.

Estas diferenças são justificadas pelas diferentes características dos produtos e/ou serviços comercializados pelas empresas dos diversos sectores.

No caso das empresas de prestação de serviços como as consultoras, empresas de engenharia ou assessoria jurídica, a presença física nos mercados de destino é, na maior parte das vezes, uma condição necessária para a atividade comercial e operacional.

Ultimamente tem vindo a ser sistematicamente anunciado por diversas entidades que a internacionalização das pequenas e médias empresas é imprescindível para a sua sobrevivência dada a queda do consumo interno.

Portanto, as pequenas e médias empresas portuguesas em geral, devem-se preparar para iniciarem de forma consistente o seu processo de internacionalização. E por internacionalização podemos estar somente a falar de exportação, pois nem sempre, ou quase nunca mesmo, internacionalização é sinónimo de investimento em filiais ou sucursais noutros países.

É muito importante as pequenas e médias empresas portuguesas possuírem uma identidade corporativa bem definida e consentânea com as exigências da concorrência internacional. Este é um dos fatores do sucesso na abordagem aos mercados internacionais.

Visão e missão claramente definidas é uma vantagem à abordagem dos mercados internacionais. As empresas devem saber para onde querem ir. Devem saber com total clareza qual é a sua missão: o que fazem, para quem o fazem, como o fazem.

A recolha de informação sobre os mercados internacionais é fulcral. E aqui devem investir em pessoas com formação e experiência adequada. Este perfil de pessoas só ultimamente tem vindo a ser dinamizado com o acesso generalizado dos alunos dos cursos superiores a programas universitários como, por exemplo, o Erasmus.

Enfim, é relativamente fácil concluir da necessidade de internacionalização das nossas PME, mas é preciso investir ainda muito na preparação das mesmas para esse processo.