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Beatriz Rubio é CEO da RE/MAX Portugal

“As pessoas não estão numa empresa só para ganhar dinheiro, mas por sentido de pertença” – Beatriz Rubio

Por: Ana Rita Justo e Mafalda Marques

Desde 1993 em Portugal, Beatriz Rubio pegou na liderança da Remax quando uma crise indesejada se abateu sobre o mundo. Aos 51 anos, diz-se feliz no seu trabalho e sem planos para descansar. Da mudança pessoal à motivação dentro e fora da empresa, eis a CEO do franchising português de uma das mais prestigiadas redes de imobiliárias do mundo.

 

PME Magazine Entrou para a Remax em 2000. Qual é o balanço que faz do trabalho realizado até hoje?

Beatriz Rubio . A Remax foi considerada pela terceira vez a melhor da Europa e [pelo] segundo [ano] a nível mundial, fora os Estados Unidos e Canadá. O nosso foco, mesmo que pareça complicado de entender, é que os vendedores ganhem dinheiro. Este é um negócio de franchising. Se o vendedor não vende, a loja não ganha e eu também não, mas a empresa é muito mais abrangente. Criámos uma empresa para durar, uma empresa que tem cinco mil vendedores, dos quais quatro mil têm mais de quatro anos [de experiência] e ganham dinheiro. Temos sempre mil que acabam de entrar, dos quais alguns se dão bem e outros não, porque este negócio é difícil, exigente, mas se seguires as regras e as formações consegues vingar. Não é como chegar a uma empresa, trabalhar e no fim do mês tens um ordenado. Em contrapartida, não tens ordenado mas ganhas muito mais. É um negócio para empresários. Eu sou empresária, os meus franchisados são empresários e os seus vendedores também. Cada um no seu nível, mas tenho vendedores que no final do ano ganham quase tanto como eu, porque têm equipas, a sua forma de trabalhar, que no fim remete em cadeia, isso é que é maravilhoso: todos temos o mesmo sistema e todos podemos ganhar. Não é por ser o master franchising que ganhas muito e o resto não ganha.

 

PME M. Qual o balanço das contas deste ano até agora?

B. R. – Mais 38% de faturação. É o dinheiro que vai para todos, para o vendedor, franchisado e para nós. No ano passado, o melhor de sempre, tínhamos mais 35%. O mercado está a abrir, voltou o crédito hipotecário, os bancos estão a fazer mais crédito. Aquele tipo de famílias que não conseguia aceder a comprar casa porque não tinha poupança – porque com a crise continuou a vender-se casas mas tinhas de ter uma poupança de 40%. O jogo mudou de tal forma que ninguém estava preparado para ter essa poupança. Se com o tempo houve pessoas que começaram a poupar, outras que tinham dinheiro poupado devido à instabilidade financeira começaram a colocar no mercado imobiliário, porque estava muito baixo, e por outro lado conseguia-se alugar essas casas, porque a oferta do mercado de aluguer continua a ser muito baixa, apesar de ter crescido muito. Conclusão: comprar uma casa e arrendar é um bom investimento, dá-te uma receita mensal e é garantida – só se vier um tsunami… Sabemos o que aconteceu com algumas firmas muito sustentáveis no mercado a nível financeiro e que de um dia para o outro as pessoas perderam tudo.

 

PME M. – Quando pegou na Remax que empresa encontrou?

B. R. – Entrei na Remax em 2000 quando a comprei com o meu marido. Nessa altura ainda trabalhava na Jerónimo Martins, até meados de 2003. Depois entrei com os pelouros de marketing e financeiro. Sou licenciada em gestão, mas passei nove anos na L’Oréal e o marketing é super fácil para mim, mas financeiro é o que estudei. Apesar de serem áreas totalmente contraditórias, consigo passar de uma para a outra facilmente. Sei que é difícil ser financeiro e parecer uma pessoa aborrecida e depois passar para o marketing e ser uma pessoa criativa e divertida. Podes ser as duas coisas. Em 2009, o meu marido foca-se nos outros franchisings que temos – Melon e Querido Mudei a Casa Obras e também a Maxfinance – e eu fico com a Remax. Nesse momento começou a crise, no mês de agosto quando o Lehman Brothers cai, uma crise que ninguém, nem os próprios bancos sabiam o que estava por detrás. Já podiam ter imaginado, porque andavam a vender todo o lixo uns aos outros, mas o resto, politicamente, socialmente apanhou todo o mundo, mesmo os bancos. Em 2010 fizemos contenções. Da minha experiência pessoal, tinha 3500 vendedores, não tinham ordenado, só ganhavam se vendessem ou alugassem e o problema é que não se faziam transações.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição digital da PME Magazine.

 

Veja aqui o vídeo da entrevista: