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Ignacio Roccheti, novo responsável da Loop para a industria 4.0 (Foto: Divulgação)

“Portugal é um território de oportunidade para a transformação industrial” – Ignacio Roccheti

A Loop New Business Models é uma consultora de estratégica e tem ajudado empresas de toda a Península Ibérica na sua transformação de negócio, nomeadamente no setor industrial. Com escritório em Lisboa e a empregar atualmente cerca de 10 colaboradores no nosso país, esta empresa opera em quatro grandes mercados: o grande consumo, retalho, indústria e serviços e quer agora ajudar as empresas portuguesas a dar o próximo passo na transformação digital. Ignacio Roccheti, novo responsável da consultora para a indústria 4.0, explica-nos como.

 

PME Magazine – Que trabalho tem feito a Loop junto das empresas portuguesas para as preparar para a indústria 4.0?

Ignacio Rocchetti – Em Portugal, verificamos que existe um tecido empresarial no setor da indústria muito desenvolvido ao nível do seu processo produtivo. Temos casos de empresas de escala mundial como o Grupo Amorim, a Cotesi, etc., que espelham bem o nível de excelência e de especialização que as suas indústrias atingiram, mas que, por uma razão ou outra, ainda não exploraram ou retiraram o maior proveito deste novo contexto digital. É com expectativa que a Loop acompanha as medidas e iniciativas tomadas pelo Governo português ao nível do desenvolvimento da indústria 4.0. Assistimos a importantes investimentos em diversas indústrias, como na indústria do calçado na qual Portugal pretende ser líder mundial e demonstrar todo o seu potencial através da iniciativa FOOture 4.0, que prevê um investimento na ordem dos 50 milhões de euros em inovação e economia digital; programas de incentivo aos fornecedores tecnológicos portugueses para capitalizar o ecossistema científico e tecnológico, criando um contexto favorável ao desenvolvimento de startups i4.0.

 

PME Mag. – Pode falar de casos específicos?

I. R. – Podemos dar como exemplo de investimento na indústria 4.0 o movimento levado a cabo pela Siemens em Portugal, que irá investir cerca de cinco milhões de euros em projetos de investigação e desenvolvimento na área da mobilidade e da energia ou através da recente chegada do 5G, na qual a NOS em parceria com a Nokia se posicionam como futuros principais players nesta área.

 

PME Mag. – Quais são os principais desafios e problemas que enfrentam as empresas na sua transformação digital?

I. R. – Não é novidade que a nível mundial, as indústrias há muito que identificaram a transformação digital como parte integrante do seu futuro modelo de negócio, mas a realidade 4.0 tarda em arrancar em alguns países na sua plenitude de significado e de processo.  Muitas empresas estão perdidas no meio deste tsunami tecnológico e pensam que a tecnologia por si só vai solucionar-lhes todos os problemas no contexto das suas organizações; mas a tecnologia é o instrumento, não a ferramenta. As empresas têm de ser conscientes de que as suas estratégias têm de estar pensadas e alinhadas com o novo contexto de transformação digital e que este ditou novas regras, prestações e níveis de serviço, de forma a corresponder ao novo paradigma analógico que pode levá-los a um caminho sem saída. Também verificamos muitas vezes no setor industrial que a mudança dos modelos de negócio para este contexto digital, sugere a eliminação de toda uma existência e história que as empresas industriais alcançaram por mérito próprio no seu setor de atuação e de conhecimento acumulado, razão pela qual acreditamos que, através dos serviços de consultoria, conseguimos construir o processo de transformação digital de forma estruturada e de acordo com o conhecimento interno da realidade de cada empresa, sem que para isso se perca o posicionamento no setor, a sua estrutura e a sua essência. O outro grande problema que a indústria enfrenta neste contexto de transformação digital prende-se com a intermediação. Atualmente, existem novos atores, muitos deles nativos digitais, com uma grande sensibilidade aos serviços e que estão dispostos a intermediar entre os negócios tradicionais (baseados em produto e infraestrutura) e o cliente. Este facto banaliza a posição da indústria e, o que é ainda mais grave, gera um maior conhecimento exponencial sobre o cliente.

 

PME Mag.  – Face às economias mais avançadas, em que ponto estão as empresas portuguesas no que toca à transformação digital?

I. R. – O maior handicap é o tempo, porque em geral as empresas do centro e norte da Europa estão há anos a trabalhar a transformação digital e encontram-se numa etapa de implementação e não numa fase de sensibilização ou consciencialização, como acontece com algumas empresas, em particular, no contexto de algumas PME portuguesas. Todos estes avanços tecnológicos dizem-nos que Portugal é hoje um território de oportunidade natural para se dar o próximo passo na transformação industrial, afigurando-se mesmo como um futuro player e exemplo para o resto do mundo quer pela dimensão das suas principais indústrias quer pelo clima favorável à inovação de que goza o país.

 

PME Mag. – Quais são os planos da Loop no mercado português?

I. R. – Ao longo dos 28 anos de existência da Loop New Business Models, fomo-nos convertendo em especialistas no setor da indústria, muito porque a génese da nossa empresa é justamente a área do Desenvolvimento de Produto. Somos uma das consultoras na Península Ibérica com maior implementação comercial e de projetos no setor industrial, o que nos permite ter uma visão amplamente estratégica do setor, quer em Espanha quer em Portugal. Também pelos longos anos que levamos a trabalhar e a desenvolver estratégias para as principais empresas portuguesas, encontramo-nos num momento corporativo em que o nosso conhecimento do mercado português abrange diferentes setores e áreas de negócio, bem como entendemos a dispersão geográfica dos mesmos, o que nos confere legitimidade para refletirmos sobre os momentos atuais dos setores e os seus desafios de futuro, nomeadamente no setor industrial onde temos uma visão muito própria do caminho a seguir: a servitização da indústria. Na nossa perspetiva, os serviços podem ser uma ferramenta de diferenciação para as empresas industriais portuguesas quando os produtos se banalizam e custam diferenciar-se num mercado cada vez mais competitivo. Vemos a servitização como ferramenta que permite fazer evoluir as empresas de uma forma não traumática desde o modelo de negócio – muito importante para um setor industrial tradicional como é o português – assim como as novas ferramentas digitais como um meio – e não um fim – eficaz para alcançar esta mudança. Fundamentalmente, na Loop queremos apostar pela consolidação do mercado português através do trabalho de uma equipa local que nos permita prestar um bom serviço baseado na proximidade e, a partir dela, levar a Portugal toda a nossa experiência em servitização e digitalização, adquirida nos últimos anos em empresas líderes do mercado como a PRIO, Grupo Sonae, CAF, Danobat, Indra, Corporación Mondragón, etc.