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Miguel Capelão é responsável de controlo de estratégia de risco da PHC (Foto: Divulgação

Transformação digital da gestão: da mentalidade às ferramentas

Por: Miguel Capelão, Strategic Risk Control Officer da PHC

 

O arranque de um novo ano é, por norma, a altura em que paramos para pensar e analisar o ponto de situação atual. Com as doze badaladas, chega o momento da tomada de consciência e de preparar as mudanças que vamos implementar ao longo do ano – e para o futuro. Sabemos que queremos mudar e, por isso, estamos mais disponíveis para inovar, quebrar velhos hábitos e melhorar o nosso desempenho pessoal, qualquer que seja o objetivo. O novo ano funciona, por isso, como um alarme impiedoso que aciona a “vontade de mudar”.

Curiosamente, é também esta “vontade de mudar” que está na base da transformação digital das PME. Estamos a assistir à disrupção de muitos negócios tradicionais e a tendência é clara: todos os negócios vão, mais cedo ou mais tarde, transformar-se em negócios de software, mesmo em áreas que nunca imaginaríamos. Nesse sentido, as empresas têm de mudar e adaptar-se à nova era tecnológica. Esta mudança é absolutamente vital. Quem não a perceber (e não der passos concretos para a concretizar), não vai estar cá amanhã. À medida que o tempo passa e o software vai, efetivamente, devorando o mundo, o atraso neste shift digital pode ter consequências desastrosas. Demorar a mudar ou errar o passo significa que uma outra empresa concorrente já percebeu a necessidade de mudança e está hoje a ganhar-lhe terreno; ou que uma tecnológica pode irromper na sua área de atividade com a mesma força disruptiva de uma Uber no mundo dos táxis, deixando a sua empresa para trás.

A transformação digital é urgente em todas as empresas. Contudo, de nada serve implementar soluções e ferramentas de ponta se, na organização, não há predisposição para mudar, para gerir melhor, otimizar processos e abraçar a oportunidade digital.

Tal como as resoluções de ano novo, tudo começa nessa tomada de consciência, na perceção de uma vontade para mudar. No universo empresarial não é a mudança de ano que impulsiona a ação, mas algo mais pungente e palpável. A tomada de consciência para a mudança nas empresas rumo ao digital começa no momento em que se sentem dificuldades, em que as vendas diminuem e ecoa a questão “porque estamos a ter dificuldades?”. A partir desta urgência e da necessidade de resultados, existe uma maior disponibilidade para perceber os ganhos da inovação e da implementação de novas ferramentas digitais.

É essencial que esta mudança seja preparada internamente, com um alinhamento claro de todas as equipas. Isso é tipicamente mais fácil de fazer numa PME, com uma estrutura mais pequena. As pequenas e médias têm que encarar, o quanto antes, a necessidade da transformação digital – e vê-la como uma oportunidade. Afinal, estas são empresas que são muito mais rápidas a agir, que reagem automaticamente aos primeiros sinais de dificuldades. A flexibilidade é muito maior e são capazes de fazer mudanças extraordinárias em tempos muito curtos. Com isso, as PME têm aqui uma oportunidade única de se antecipar dentro do seu setor de atividade, alcançar uma diferenciação de mercado e criar valor, para si mesmas e para os seus clientes.

Só depois desta transformação de mentalidades está aberto o caminho à implementação e à revolução digital. Hoje em dia, existem ferramentas ímpares que dão novas possibilidades tecnológicas, anteriormente inacessíveis, às PME, contribuindo para que se tornem mais ágeis e mais produtivas. Sem grandes investimentos, é possível aceder a tecnologias incríveis como a cloud, o tratamento e cruzamento da informação (big data), self-service interno e externo, presença online (e-commerce) e suporte online. Este acesso veio revolucionar, sem dúvidas, o alcance e o desempenho das PME, um pouco por todo o mundo.

A transformação digital das empresas vem também responder às necessidades de quem já adotou uma nova mentalidade digital: os consumidores, sobretudo a partir da geração millennial, que esperam hoje uma experiência única e personalizada em cada ponto de contacto com as marcas.

Esta é a primeira geração a viver, permanentemente, de forma conectada, online e mobile. E as empresas têm também de se conectar a esta geração, comunicando nos meios onde o consumidor se move. Prescindir de uma loja online, por exemplo, é ignorar uma geração inteira.

Para uma empresa, já não chega ter um bom produto ou um bom serviço, é preciso fazer muito mais do que isso. É obrigatório ir ao encontro das necessidades do consumidor e proporcionar-lhe uma experiência única, seja numa plataforma de e-commerce, seja no suporte online, por exemplo. O software tem um papel fundamental nesse aspeto crucial da experiência do consumidor: a diferenciação. Sem essas ferramentas, é impossível alcançarmos uma diferenciação em todos os pontos de contacto com o cliente.

Em paralelo, o software é também fundamental ao nível da gestão interna, potenciando a produtividade e a agilidade necessária para mudar rapidamente. Esta é uma revolução tecnológica e a mudança tem de acontecer rapidamente, com processos otimizados e a partir de decisões bem fundamentadas. Não há tempo para hesitações. O tempo tecnológico é medido no tempo real e, para vencer na era tecnológica, é preciso ser rapidíssimo. Não chega reagir, é preciso antecipar. Mas, muito antes disso, é preciso querer mudar e transformar mentalidades. As doze badaladas da era digital já ecoaram e agora é tempo de as PME portuguesas cumprirem as suas resoluções de mudança.